
Programação faz parte da atividade do Instituto de Ensino Superior da Associação Paulista de Medicina
O Instituto de Ensino Superior da Associação Paulista de Medicina (IESAPM) iniciou nesta semana a II Semana Acadêmica em Gestão Hospitalar. Seguindo o conteúdo programado, na noite da última quinta-feira, 10 de setembro, foi realizada a segunda aula, abordando “Os desafios dos hospitais na busca pela qualidade e segurança do paciente”.
A responsável pela apresentação foi a especialista de Qualidade do Hospital do Coração (HCor) Daniella Krokoscz, que iniciou a palestra relembrando que a jornada da qualidade em Saúde é dividida em diferentes eras: Era da Estatística, em que passou-se a utilizar diagramas estatísticos para demonstrar que higiene e organização reduziam drasticamente mortes es hospitais; Era dos Resultados, com foco em desfecho e acompanhamento pós-internação; Era da Estruturação, caracterizada por estrutura, processo e resultado; Era da Segurança do Sistema, que destaca que o erro não é uma falha de maus profissionais, mas de maus sistemas; e Era da Governança e Valor, em que a qualidade é o modelo de negócio e a segurança é o valor inegociável da marca.
A especialista aproveitou a oportunidade para relatar os principais desafios da gestão moderna. “A burocracia da qualidade pode ser um desafio, porque muitas vezes a gestão da qualidade significa apenas conformidade com uma especificação interna ou com algo mais regulatório. Eu posso esquecer o meu cliente, fico focada em processos internos e deixo as necessidades reais do paciente e da comunidade em segundo plano e posso ter iniciativas isoladas de melhoria, que não se conectam à estratégia central da organização, e isso é o que a gente não quer.”
Daniella também mencionou o conceito chamado “Qualidade de Todo o Sistema”, elaborado pelo Institute for Healthcare Improvement, relembrando que em 2021 foi lançada uma publicação que falava sobre a qualidade de todo o sistema com uma abordagem para construir sistemas de Saúde responsivos e resilientes, uma vez que a busca pela qualidade requer que ela seja o centro da estratégia de organização.
Acreditação
A palestrante relembrou que muitos hospitais passam pelo processo de acreditação, que se constitui como um reconhecimento formal de um organismo independente baseado em normas técnicas relacionas a um determinado assunto. “É um método voluntário e tem um período de vigência e renovação. O seu objetivo é a educação continuada dos profissionais de Saúde, então há normas técnicas, manuais que estabelecem os padrões e os elementos de mensuração, podendo ser nacionais e internacionais. Em toda acreditação precisamos comprovar com a proficiência a conformidade para receber a oportunidade, a certificação e a acreditação.”
Ela também salientou que a acreditação proporciona alinhamento com as necessidades de Saúde, melhora a qualidade do atendimento, reflete a realidade local, envolve todas as partes, garante apoio e avalia custos e benefícios. Entretanto, os serviços de Saúde acabam enfrentando algumas barreiras neste processo, como custo financeiro, resistência à mudança, diferenças regionais, alinhamento organizacional e comprometimento.
Mundialmente, a Joint Commission International é uma das instituições mais reconhecidas para hospitais que visam alcançar a acreditação, enquanto no Brasil, a ONA (Organização Nacional de Acreditação) é a principal referência. “Do total de hospitais no Brasil, menos de 6% são acreditados. Destes, a maioria está aqui na região Sudeste e do total de hospitais certificados, somente 16% são públicos e atendem exclusivamente pelo SUS. Então ainda é um contexto de escassez de hospitais e instituições certificadas com essa excelência, por isso é tão destacado quando uma instituição consegue ter implantado essa metodologia.”
HCor
Daniella expôs que o HCor está no sétimo ciclo de acreditação pela Joint Comission, demonstrando que a instituição possui padrões de qualidade e faz gestão da organização das documentações e gerenciamento de riscos diversos, seguindo os princípios de antecipação, transparência e segurança psicológica.
“No nosso programa de qualidade e segurança do HCor, focamos no princípio da qualidade sistêmica, gestão de documentos e indicadores, acreditação e certificação, gestão de riscos, melhoria contínua e interface com todas as estruturas. Se pensamos no princípio da qualidade sistêmica e queremos uma instituição de alta confiabilidade, é preciso vincular estratégia à qualidade, para que possamos ter a capilaridade em todas essas áreas e entregar a qualidade sistêmica que buscamos”, concluiu.
Fotos: Reprodução do evento