Médicos participam da primeira aula do Curso de Gestão Financeira do IESAPM

Aulas foram conduzidas pela especialista em educação financeira Solange Honorato

A dedicação dos médicos aos pacientes se reflete em diferentes linhas de cuidado, no entanto, os profissionais podem acabar negligenciando essa mesma dedicação quando o assunto são as suas próprias finanças. Por este motivo, o Instituto de Ensino Superior da Associação Paulista de Medicina (IESAPM) realizou, no último sábado, 8 de agosto, a primeira parte do Curso de Gestão Financeira para Médicos.

As aulas são divididas em oito módulos e estão sendo conduzidas pela especialista em educação financeira, professora e fundadora da Acamef (Academia do Mercado Financeiro), Solange Honorato. Os quatro módulos iniciais abordaram “Como separar a sua vida da sua empresa”; “Fluxo de caixa da pessoa física – para onde vai o dinheiro de verdade?”; “Fluxo de caixa do consultório e Pareto: quais 20% do trabalho realmente representam 80% do resultado?”; e “Reserva de Emergência, liquidez e proteção patrimonial”.

“Mesmo com o elevado número de faculdades de Medicina no Brasil e de médicos lançados anualmente no mercado de trabalho, não há na universidade nenhuma disciplina sobre o dinheiro que a profissão produz. Vocês passam a vida inteira estudando para aprender a cuidar dos outros, mas isso tem que dar o retorno que vocês fizeram no investimento de tempo e de dinheiro”, manifestou a palestrante.

Segundo a especialista, falar sobre dinheiro é um assunto delicado e que gera desconforto. “Se você estiver há um ano faturando a mesma coisa, está faturando menos e está no negativo. Se tem um mês de sazonalidade, que sabe que vai faturar menos, então tem que se planejar. A questão não é trabalhar mais, mas ter controle desde o começo, porque não é quanto ganha, mas sim quanto e como se gasta […]. Por isso, a pergunta deste seminário é simples: e se vocês olhassem para o próprio dinheiro, que é resultado de tanto tempo e esforço, com o mesmo rigor que olham para um paciente?”

Solange aproveitou para salientar os objetivos do curso. “Hoje, vocês vão sair daqui vendo o destino da sua renda, a margem real do seu consultório e a data em que cada dívida sua termina. Vão descobrir onde a vida e a empresa se misturam, onde a agenda vaza e quantos meses aguentam parados. E, por fim, mas não menos importante, vão ganhar a capacidade de decidir com data em vez de culpa, terão margem sem ter que trabalhar mais e proteção do que já construíram.”

Conteúdo prático

Apresentando na prática os temas, Solange Honorato destacou que separar os gastos pessoais dos gastos empresariais é algo fundamental para se ter controle, salientando que, pelo fato de no Brasil praticamente todos os médicos terem uma empresa, as contas acabam se misturando e levando ao risco de causar confusão patrimonial. Para gerir isso de forma efetiva, comentou que é indispensável anotar todos os gastos. “É um controle que vai praticamente zerar eventuais inconsistências e as anotações acabam virando um hábito.”

A palestrante explicou como montar uma planilha de gastos e como utilizar as diferentes plataformas de inteligência artificial para auxiliar neste processo. “Se você souber tudo que vai ter de despesa, de investimento ou de receita, você se prepara e fica mais tranquilo. O controle financeiro te dá uma tranquilidade e você não é surpreendido e nem desestabilizado.”

Demonstrando para onde o dinheiro é destinado, a especialista explicou que todas as saídas correspondem a quatro naturezas, que se dividem entre essencial, ou seja, aquilo que não é possível viver sem, como alimentação, saúde, moradia e transporte; compromisso assumido, voltado para financiamentos, parcelas e faturas; estilo de vida, divididos entre restaurantes, viagens, assinaturas e vestuários; e o investimento em si, que é o que constrói o futuro, como previdência, seguro de vida e formação. “Boa parte do que parece luxo, na verdade é custo de operação de um médico. Essas despesas não são um estilo de vida, mas sim o preço de exercer a profissão.”

Aproveitando, Solange explicou como funciona o fluxo de caixa de consultório e o Diagrama de Pareto em planilhas – responsável pela aplicação da regra de 80/20. “Em uma distribuição típica, uma minoria das causas responde pela maioria dos efeitos. Isso vale para tudo, se a gente começar a fazer conta, em prestação de serviço, 20% dos clientes representam 80% do faturamento”, demonstrou.

“A conta é simples, ordene as origens de receita da maior para a menor e some até chegar em 80%. Você vai ter uma surpresa, porque 20% da fonte pagadora vai ser 80% de tudo que você fatura. Esses 20% são os seus especiais, então você pode dedicar mais tempo, maior feedback e tudo mais. O que está acima da linha merece proteção e expansão, é o que sustenta a operação”, acrescentou.  

Finalizando a apresentação, Solange Honorato reforçou a importância de ter sempre uma reserva para eventuais emergências e de realizar diferentes investimentos, abordando liquidez e proteção. “Liquidez é tudo que você consegue se desfazer e ter dinheiro em até sete dias. Você pode ter investimentos que se transformam em dinheiro neste espaço de tempo, o restante é patrimônio, e patrimônio não é para você se desfazer para poder pagar conta.”

O curso retorna para a segunda parte no próximo sábado, dia 15 de agosto, a partir das 8h da manhã, no formato híbrido.

Fotos: Divulgação

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