“O papel da equipe médica na qualidade hospitalar” encerra Semana Acadêmica do IESAPM

Para encerrar a II Semana Acadêmica de Gestão Hospitalar, organizada pelo Instituto de Ensino Superior da Associação Paulista de Medicina (IESAPM), a terceira e última aula abordou o tema “O papel da equipe médica na qualidade hospitalar”, na última sexta-feira, 11 de setembro. A palestra foi ministrada pela ortopedista, traumatologista e presidente da APM Fernandópolis, Amanda Oliva Spaziani, e contou com a mediação do professor Josimar Alexandre de Freitas.

Amanda iniciou ressaltando que a qualidade costuma ser associada apenas à administração, à Enfermagem ou ao Núcleo de Segurança do Paciente. No entanto, como a jornada do paciente é constantemente guiada por condutas médicas, a responsabilidade deve ser compartilhada por todos os profissionais, da limpeza aos especialistas. O principal problema surge justamente quando um colaborador transfere o dever da segurança para o outro.

A médica destacou que oferecer um serviço de qualidade vai além de manter o paciente vivo ou realizar um procedimento correto. O atendimento precisa ser seguro, eficiente, ágil, justo e centrado nas necessidades da pessoa. Por se tratar de um ambiente complexo, não existe risco zero na assistência hospitalar. Segurança significa identificar perigos e criar barreiras para reduzir os danos evitáveis ao mínimo aceitável.

Embora o médico tome decisões determinantes ao longo de todo o processo – do diagnóstico à prescrição e à alta -, o trabalho nunca é isolado. Uma orientação médica só se concretiza graças à atuação conjunta de enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas, nutricionistas e outros profissionais. Portanto, a presença de excelentes indivíduos não garante resultados se não houver integração. Da mesma forma, quando ocorre um evento adverso, a falha raramente pertence a uma única pessoa, mas decorre de uma combinação de fatores humanos, falhas de comunicação e problemas nos processos.

Cultura de Segurança x Culpa

Amanda Spaziani explicou que, quando a primeira reação a um erro é a punição, os profissionais passam a esconder as falhas. Por isso, uma cultura de segurança deve permitir o aprendizado com o erro, sem confundir isso com a falta de responsabilidade. É fundamental identificar quem errou, como o problema ocorreu e por qual motivo, garantindo que o evento não volte a se repetir.

Nesse sentido, enfatizou que não é necessário esperar que o paciente sofra um dano para aprender. As situações em que a falha é interrompida a tempo são extremamente valiosas, pois revelam fragilidades nos processos que podem ser corrigidas antes que alguém seja prejudicado. “O quase aconteceu é extremamente valioso. Se alguém percebe uma dose dez vezes maior antes da administração, não houve dano, mas houve uma oportunidade enorme de descobrir uma fragilidade do processo”, completou.

Já a segurança na prescrição é um dos pontos mais importantes da atuação médica. Ela destacou que, além de escolher o remédio adequado, o profissional deve avaliar dosagem, via de administração, possíveis alergias, função renal e interações medicamentosas. A instrução precisa ser legível e clara para toda a equipe responsável pela execução. Da mesma forma, a passagem de plantão exige atenção. Não se trata apenas de relatar o histórico do paciente, mas de informar ao colega os riscos, as pendências, os exames pendentes e as condutas previstas para as horas seguintes.

A especialista diz que a prevenção de infecções hospitalares também é um dever do médico. Como cabe a ele indicar cateteres, sondas e antibióticos, é preciso reavaliar diariamente a real necessidade de manter esses dispositivos ou tratamentos. A higienização das mãos e a desinfecção dos equipamentos antes e depois de cada atendimento continuam sendo passos indispensáveis. Além disso, o prontuário deve ser visto como um instrumento de comunicação e continuidade da assistência, e não apenas como um registro jurídico. Informações sobre raciocínio clínico, resposta a tratamentos e planos de cuidado precisam estar devidamente documentadas para orientar os próximos profissionais.

Na etapa de alta médica, a presidente da APM Fernandópolis afirmou que a segurança depende de garantir que o paciente compreenda seu diagnóstico, o uso dos medicamentos, a necessidade de retorno e os sinais de alerta que exigem nova avaliação. A alta deve ser entendida como uma transição do atendimento, e não como o fim dos cuidados. Para reforçar essa proteção, orientou que se peça que o próprio paciente explique, com suas palavras, as instruções recebidas.

Por fim, Amanda disse que a qualidade não é um documento, um selo ou uma obrigação do setor de gestão. É uma forma de cuidar, pois quando nos comunicamos melhor, prescrevemos melhor, registramos melhor e, ao trabalharmos verdadeiramente em equipe, estamos fazendo qualidade todos os dias.

Fotos: Reprodução do Evento

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