
Solange Honorato apresentou os módulos finais aos participantes
O Instituto de Ensino Superior da Associação Paulista de Medicina (IEASPM) deu continuidade ao Curso de Gestão Financeira para Médicos, trazendo a segunda parte das aulas no último sábado, 15 de agosto. A responsável pela condução dos conteúdos foi a especialista em educação financeira, professora e fundadora da Acamef (Academia do Mercado Financeiro), Solange Honorato.
Ela relembrou os temas que foram abordados na primeira aula, explicando como iam funcionar os módulos da segunda parte do curso, que se dividiram entre “A reforma tributária e a conta da Saúde”; “Pró-labore e distribuição de lucros – quanto tirar e como”; “Quanto vale a sua hora e como precificar a partir dela”; e “Os próximos 90 dias, em ordem de impacto”. “Hoje, nós temos três missões aqui. Vamos ver quanto vai para o Governo, quanto vai para o seu bolso e quanto vale a sua hora”, manifestou.
Reforma tributária
Solange explicou que a reforma tributária substituirá cinco impostos vigentes atualmente (ISS, ICMS, Pis e Cofins e IPI), tornando-os dois, o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), em nível estadual, e o CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), em nível federal. Ela relembrou que esta mudança é gradativa e o tempo de transição durará até 2033.
Em seguida, recordou como isso recairá em médicos inseridos nos regimes do Simples Nacional ou do Lucro Presumido. “A reforma não trata os dois regimes do mesmo jeito. Se você está no Simples, é preciso avaliar o regime híbrido até setembro e simular a migração para o presumido. Se você já está no presumido, é possível avaliar a equiparação hospitalar, segregar as receitas na contabilidade, conferir a licença sanitária e os CNAEs, rever o ISS fixo, se possui sociedade uniprofissional e simular a volta para o Simples.”
A especialista demonstrou que o médico pode ser CLT, empresário recebendo por meio da distribuição de lucros ou por meio de pró-labore. Segundo Solange Honorato, antes de decidir retirar o dinheiro, é preciso primeiramente se questionar como ele entra na conta.
Ela explicou que, no Simples Nacional, a alíquota efetiva começa em 6%, se a empresa estiver no Anexo III, e em 15,5% se for no Anexo V. “O que decide entre um anexo e outro não é a sua especialidade, é quanto você paga de folha, inclusive o seu próprio pró-labore. A razão entre a folha de pagamento e o faturamento que separa os anexos III e V no Simples Nacional é de 28%. Para saber quanto você tem de folha de pagamento é simples, divida pelo seu faturamento e some todas as entradas, despesas com folha de pagamento, incluindo o pró-labore e faça essa conta. Se der 28 ou mais, vai pagar menos imposto se estiver no Simples, se der abaixo, vai pagar mais caro, porque o que dá para abater ali, o que dá para fazer essa conta, é apenas a folha de pagamento e pró-labore.”
Ela também acrescentou que eficiência tributária se define sobre como saber pagar menos impostos. “Achar a melhor forma de pagar não é pagar menos a qualquer custo, mas sim pagar o que é devido, da forma que te dá mais resultado. Hoje, aprendemos a enxergar por qual porta o dinheiro da empresa entra, se é pelo recibo no CPF ou pela nota da empresa, e que a maioria dos médicos usa as duas; que despesa não abate imposto; que a folha custa 1,4 vez o salário e puxa a empresa em três direções ao mesmo tempo e que existe um limite de R$ 50 mil na distribuição desses lucros a partir de janeiro de cada ano.”
Valor da hora
A professora salientou que a hora é o artigo mais escasso dos médicos, mas que é possível valorizá-la trabalhando mais ou menos, observando, assim, os efeitos que isso trará no bolso. Ela indagou aos participantes que apesar de saberem quanto a valia a hora de cada um deles atualmente, agora, era necessário saber quanto ela precisava valer.
“Para cobrar mais, você pode fazer um investimento em um equipamento ou em um curso, encerrar um contrato que consome todo o seu tempo. Talvez, você comece com horas sobrando, mas daqui a pouco, você consegue mexer, e é preciso ter essa curiosidade”, definiu.
Solange também indicou outros três caminhos para tornar a hora trabalhada mais vantajosa, demonstrando que nenhum deles tinha a ver com o aumento de preço, mas que focavam em reajuste, mudança de composição e redução do custo – trazendo menos ociosidade na agenda, menos glosa, menos tempo administrativo e contribuindo para que a mesma hora fique mais barata sem que ninguém pague mais caro. “Eficiência tributária é a validação do que você precisa e as despesas que você pode arcar. Isso vai te dar mais previsibilidade, sabendo que determinados valores já estarão computados.”
Ordem de impacto
Finalizando a apresentação, a especialista manifestou a importância de garantir uma aposentadoria e uma previdência complementar para ter segurança no decorrer dos anos, relembrando que, no Brasil, não existe idade limite para se exercer a Medicina – e que esta pode ser a melhor escolha dos profissionais, desde que não seja a única e que não continuem atendendo até depois dos 70 anos puramente por necessidade financeira.
Ela descreveu a importância de se ter detalhado o que acontecerá com o que foi construído no decorrer dos anos, quando os responsáveis não puderem mais ter controle de seus investimentos, relembrando, ainda, como é fundamental ter todas as informações financeiras anotadas em uma planilha.
“Isso demanda planejamento e no começo vai ser um pouco mais complicado para colocar os dados e manter essa disciplina. Essa é a parte mais difícil, mas é aí que tudo começa. Porque se não der essa partida, nada vai acontecer, nada vai mudar e isso é o básico, anotar, controlar e comunicar, ver as coisas que precisam ser feitas. O compromisso é individual e a informação tem o poder de nos transformar”, concluiu.
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